No próximo sábado, em Aveiro, a meio caminho entre o Porto e Coimbra, FC Porto e Académica vão discutir o primeiro troféu da época. De um lado, o clube que mais edições deste troféu ganhou (FCPorto), justificando o domínio que tem exercido no futebol português nas últimas décadas - Supertaça existe desde 1979; do outro, um estreante nestas andanças em virtude da fantástica conquista da Taça de Portugal em Maio passado, frente ao Sporting, num percurso onde eliminou...o FC Porto. Mas este troféu, que agora se joga num único jogo e que em edições anteriores foi necessário recorrer a um terceiro jogo (duas mãos, sem recurso a grandes penalidades e uma finalíssima, quase sempre no final da época seguinte), tem alguns heróis que aqui vou lembrar.
Ayew
No primeiro jogo da temporada 97/98, no Bessa, o Boavista encaminha a conquista da Supertaça com uma vitória por 2-0 frente ao FC Porto. Acabado de chegar à equipa axadrezada, Kwame Ayew marca um o 1-0 de pé esquerdo, num belo movimento vindo da direita. Bola no fundo das redes de Rui Correia, euforia no estádio e...a bota esquerda do avançado ganês a voar em pleno relvado do Bessa, tal forte foi o remate para o primeiro golo da época. O 2-0 foi de Timofte, ex-jogador do FC Porto, num erro claro do ex-guarda redes do Braga. Esta foi a terceira vitória do Boavista neste troféu (o 1-0 nas Antas na segunda mão não foi suficiente, apesar do golaço de livre de Fernando Mendes), sempre às custas do FC Porto. Na primeira edição, em 1978/79, foi Júlio, também ex-jogador do FC Porto, a bisar e dar a vitória ao Boavista por 2-1. Em 1992/93, apesar de Kostadinov ter marcado nas duas mãos, o herói dessa edição foi o avançado brasileiro Marlon Brandão que saltando do banco nos dois jogos marcou sempre golos decisivos. Uma nota apenas para Jorge Andrade: na edição de 2001/2002 (a primeira a ser resolvida num só jogo), o defesa central marcou o golo da vitória portista sobre o Boavista em Vila do Conde. Estava consumada a vingança.
Izmailov
Após quatro edições sem participar no primeiro jogo da época, o Sporting entrou a vencer na temporada de 2007/2008. Tudo graças a uma bomba do czar Marat Izmailov. Num jogo morno, em Leiria, foi à bomba que o russo resolveu o jogo num remate que Hélton não conseguiu deter. Até aí, o russo estava a ser mais falado devido ao tique nervoso que apresentava. Mas depois daquele golo os sportinguistas entusiasmaram-se com este jogador que raramente conseguiu demonstrar o seu real valor, devido a lesões. Se bem que aquele seu primeiro golo em Portugal foi um prenúncio: voltou a marcar mais duas vezes aos dragões e sempre de belo efeito, numa vitória por 3-0 em Alvalade e num derrota para a Taça no Dragão.
Domingos e Sá Pinto
Oi? Pois, apesar de nunca terem jogado juntos - a não ser no Euro 96 e sem grande sucesso - estes dois avançados ficam na história deste troféu por terem sido decisivos em Paris. Oi? Sim, Paris. Nas edições de 1993/94 e 94/95 foi necessário recorrer a uma finalíssima. Como teria de ser em campo neutro - e em ambos os casos os jogos realizaram-se praticamente em final de época seguinte (!!) - a federação escolheu das duas vezes o Parc des Princes. Lotado nos dois embates, em 93/94 Domingos marcou o único golo da vitória frente ao Benfica. Em 94/95, Sá Pinto bisou e foi decisivo no 3-0 com que os leões derrotaram o FC Porto - o outro golo foi de Carlos Xavier, de grande penalidade. A época passada Sá Pinto voltou a suceder a Domingos: desta vez no banco do Sporting.
Vítor Baía e Schmeichel
O palco é o Calhabé, em Coimbra. Ambos para finalíssimas. Na edição de 92/93 - que apenas acabou em Agosto de 1994, uma semana antes da 1ª mão da edição de 93/94, uma loucura! -, Benfica e FC Porto não desatam o nó nas duas mãos e em 1999/2000 o mesmo se passa entre Sporting e FC Porto. Nos dois jogos em Coimbra brilham os guarda-redes. Benfica e FC Porto empatam a 1-1 ao fim dos 90 minutos, César Brito aos 118 min empata a 2-2 e leva a decisão para as grandes penalidades - finalmente!!! Aí brilha Baía, que já tinha feito grande exibição. Defende duas penalidades e quem não se lembra daquele festejo, por detrás da baliza, de um troféu que durou um ano a conquistar?
Quanto a Schmeichel, também defendeu uma grande penalidade. Foi durante os 90 minutos, evitou o golo de Deco quando o resultado era 0-0. Beto Acosta, herói do título de Inácio, fez o 1-0 final e festejou no colchão atrás da baliza de Ovchinnikov, que não conseguiu defender...a grande penalidade do argentino.
Wetl
Poucos devem ser os portistas que não sabem quem Wetl é. Este médio austríaco não teve grande sucesso em Portugal mas deixou o seu nome marcado na história desta competição com o melhor golo num jogo histórico: 0-5, vitória do FC Porto na Luz, na estreia de António Oliveira. Depois de 1-0 nas Antas (Domingos, quem haveria de ser), Artur, Edmilson, Jorge Costa, Wetl e Drulovic calaram a Luz e humilharam o rival. Mas o golo de Wetl - a par da morte de Nuno Ferrari, jornalista d'A Bola - marcaram a noite. Preud'Homme não teve uma boa estreia em troféus em Portugal.
Nuno Gomes
É difícil escolher alguém do Benfica na história das Supertaças. O clube da Luz conta apenas com quatro troféus, menos três que o Sporting e quatorze que o FC Porto. Mas mais um que o Boavista. E foi Nuno Gomes que ajudou a desempatar com o clube axadrezado, ele um ex-jogador do Bessa. Em Faro, 1-0 contra o Vitória de Setúbal, na estreia de Koeman, vingando a derrota do Jamor meses antes e impedindo o Vitória sadino de incluir a Supertaça no seu historial.
Rolando
Foi o herói da última edição. O Vitória de Guimarães queria ganhar o seu segundo troféu mas Rolando vingou a derrota portista na edição de 88/89. Dois golos plenos de oportunidade na primeira parte foram suficientes para responder ao golo solitário dos minhotos.
Jacques
Quem? Pista: na segunda mão da Supertaça de 80/81 o FC Porto ganhou 4-1 ao Benfica nas Antas, invertendo a derrota de 2-0 na Luz. É uma boa pista? Não? Cá vai: Jacques foi um avançado algarvio que viveu à sombra de Fernando Gomes, marcou três golos no célebre jogo das Antas, dando ao clube a sua primeira Supertaça. Uns anos depois voltou a ser decisivo na caminhada até à final de Basileia, na Taça das Taças. Marcou o golo tardio em Glasgow que evitou uma derrota por dois golos (2-1), deixando depois que Gomes (pois, claro!) fizesse o único golo da segunda mão e carimbasse a passagem à ronda seguinte onde também foi decisivo na impressionante reviravolta contra o Shakthar, marcando o 3-2 final da 1ª mão.
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